A Polícia Federal divulgou na manhã desta sexta-feira (4) que cumpriu
sete dos oito mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça para a
Operação Dublê, que investiga um esquema de desvio de verbas públicas
em prefeituras do Sertão da Paraíba. De acordo com a assessoria de
imprensa, entre os presos estão um prefeito e três secretários
municipais de duas cidades.
De acordo com o superintendente da Polícia Federal, Marcello Diniz
Cordeiro, continua em aberto um mandado de prisão contra um segundo
prefeito, Inácio Roberto de Lira Campos (PMDB), de Cacimba de Areia. No
início da manhã, a assessoria comunicou que ele teria sido preso em João
Pessoa, porém às 11h retificou essa informação e disse que ele está
foragido. Segundo o delegado, a PF vai pedir prisão preventiva, uma vez
que ele teria conhecimento da operação. A reportagem tentou contato com
representantes do político e da prefeitura de Cacimba de Areia, mas
ninguém atendeu às ligações.
João Pessoa (Foto: Abrantes Júnior/Paraíba FM)
O presidente estadual do PMDB, Antônio de Sousa, procurado pelo G1,
disse vai esperar a sentença judicial para se manifestar oficialmente a
respeito do envolvimento do prefeito de Cacimba de Areia em ações de
desvio de dinheiro. Mesmo assim, segundo ele o partido tem que prestar
solidariedade ao filiado inclusive colocando o setor jurídico do partido
à disposição dele. Ele também acredita que Inácio Roberto deve se
apresentar em breve.
O prefeito que está na delegacia da Polícia Federal em Patos é José
Edivan Félix (PR), do município de Catingueira. A esposa dele,
Francinalva Félix, confirmou que o marido estava prestando depoimento,
mas disse que não poderia fazer mais comentários sobre o caso. Com ele
foi apreendida uma espingarda calibre 12 de uso restrito. Sete carros de
luxo foram recolhidos com os demais suspeitos de envolvimento.
De acordo com Marcello Cordeiro, os investigados teriam desviado cerca
de R$ 5 milhões dos cofres públicos, sendo aproximadamente R$ 1,5 milhão
de verbas da saúde, R$ 1 milhão de educação e ação social e R$ 2
milhões de verbas de desenvolvimento rural e infraestrutura urbana. O
dinheiro seria proveniente de programas do governo federal, como
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e do Projovem, além de
outros vinculados ao Fundo Nacional de Assistência Social (Fundef),
Sistema Único de Saúde (SUS) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Para fazer uso particular dos recursos, os políticos e funcionários
públicos teriam sacado valores em favor das tesourarias das prefeituras e
criado licitações fictícias com notas fiscais clonadas. A falsificação
serviria para prestar contas aos orgãos fiscalizadores, como o Tribunal
de Contas da Paraíba.
Além das prisões foram feitas buscas em um escritório no Centro da
capital e nas sedes das prefeituras de Catingueira e Cacimba de Areia,
que chegaram a ser interditadas pelos agentes de investigação.
Conforme a PF, os envolvidos no esquema prestaram depoimento e serão
indiciados pelos crimes de responsabilidade de prefeitos, fraude a
licitação, falsidade ideológica e formação de quadrilha.
Do G1 PB
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